Le Petit
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About: "Sorri quando a dor te tortura
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos e vazios

Sorria quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorria quando o sol perder a luz
E sentires uma curz
Nos teus ombros cansados e doridos

Sorria vai mentindo sua dor
E ao notar que tu sorri
Todo mundo irá supor
Que és feliz"

Charles Chaplin

"Quem és tu que me lês? És o meu segredo ou sou eu o teu?"

Clarice Lispector
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cadernodeoutono:

Valsa e Imaginação (Rascunho)

Caminhou lentamente até o centro do depósito abandonado, a luz cinzenta que adentrava pelas grandes vidraças davam um aspecto deprimente ao lugar.

Ali estava, sozinho, com frio e triste. Apenas fechou os olhos.

O recinto ainda se postava a sua volta, em sua mente, detalhadamente, cada caixa, móvel e entulho ali abandonados, assim como ele. Tudo se apresentava à ele com perfeição de sonho, sentia tudo que lhe estava ao redor, inclusive o ar que o cobria como uma coberta melancólica e estagnada.

Aos poucos a poeira que tomava o local desaparecia, o chão cinza-chumbo se lustrava, as paredes pareciam novas. Os móveis tomavam seus antigos formatos, de épocas melhores, onde tinham um lugar para chamar de lar. As caixas se empilhavam, o entulho retomava sua utilidade e reforçava a construção como lhe era possível.

Seu coração apertou, sabia o que viria agora, pois sabia que não conseguiria, era mais forte que ele… Uma lágrima lhe desceu a face, o aposento se tornou mais cinzento por um breve instante, seu respirar acelerou e seus lábios estavam trêmulos.

Sentiu um dedo, indicador, lhe tocar os lábios, silenciando seus temores.

Ela veio…

Estava linda, como sempre. Seus cabelos loiros e lisos lhe chegavam até os ombros e nem a luz gris lhes tiravam o brilho dourado. Usava um vestido florido com um laço rosa e sapatilhas de segunda mão.

Mais lágrimas limparam seu rosto.

Seus braços envolveram-na e uma sensação quente o invadiu, as luzes amareladas de um dia ensolarado invadiram o grande salão.

Um passo para lá, dois para cá, um para cá, outro acolá, um giro, uma pausa, um suspiro.

Um passo aqui, dois para ali, dois para lá, outro aqui, um giro, uma parada, um suspiro.

Cortinas vermelhas e nobres obscureceram a luz das grandes janelas, porém o iluminar do lustre de cristal ainda lhes aconchegava.

Os móveis, agora adornados e de teor clássico, se posicionavam a volta para admirar a bela dama e seu cavalheiro. Valsavam daqui para ali, de lá para cá.

Tapeçarias luxuosas cobriam as paredes com figuras angelicais e antigas.

Dois passos para lá, dois passos para cá, dois passos para lá, dois passos para cá, um giro, um suspiro.

Uma pausa para um silêncio, um gesto para um beijo. Um momento para uma eternidade, um olá para um adeus. Uma valsa dos encantos.

Ali estava ele, com ela em seu coração, quente e feliz. Lá estava ele no velho depósito abandonado e sujo. Ela se fora e mesmo assim estava ali, aqui, perpétua no grande salão.

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